sábado, 25 de janeiro de 2014

Parte Três: Certas Coisas Sombrias

Entre um passo e outro, ela viu um brilho branco sendo emitido de alguma coisa no chão: era a faca que Raphael havia usado para cortar as maçãs, repousada sobre a lateral. Ela foi subtimente para trás para não pisar, e seu ombro bateu no dele, ele pôs a mão para ela equilibrar-se, bem na hora que ela se virou para desculpar-se. Em seguida, de algum jeito, estavam se beijando.
Isa se afastou com uma exclamação espantada, embora continuasse com os braços em volta dele.
- Desculpe, - ela abaixou a cabeça e afastou-se dele - eu não devia...
- Isa, eu gosto de você - ele disse gesticulando para si meso.
- Mas se você pensar bem, você vai acabar percebendo que não gosta tanto assim de mim. Quer dizer, eu sou legal, inteligente, arrumadinha e engraçada nas horas certas. Mas tirando isso, essas razões óbvias que fazem as pessoas se apaixonarem umas pelas outras, não existe um porquê de você olhar para mim assim, como se eu fosse realmente muito necessária. Eu sei que não sou, e uma hora você vai ver isso também.
- Tudo bem, - disse ele, desistindo de protestar - não foi tão inesquecivel para mim tambem.
Eles desceram pela mesma escada que haviam subido, mas para Isa o caminha estava totalmente diferente.
Ele estava pensativo e com o olhar distante.
Ela entrou no quarto e deixou que o excesso de pensamentos ocupasse sua mente.
" Foi melhor assim. Não iria dar certo. Eu não estaria segura ao seu lado."
Por fim o sono venceu-lhes.
Ela acordou com gritos vindos da sala.
- ...Ela não vai acordar, Stubb. Seu tempo está acabando, e quando acabar não haverão acordos que não me façam comer sua pele imunda. - ela disse antes de desaparecer.
Antes que ela pudesse ir para a sala, Raphael entrou pela porta.
- Onde esteve?
- Eu fui ver meu pai. E antes que diga alguma coisa, eu precisava ir.
- Voce nao deveria ter ido - disse Stubb, seco - O que Lucian disse?
Então o pai de Raphael chama-se Lucian - pensou Clarissa.
- Ele pediu para ajuda- lo.
- E você disse que não, certo?
- Quero que as pessoas parem de adivinhar o que eu disse, isso está me tornando previsivel.
Isa decidiu anuciar sua presença.
Ela foi até a mesa e pegou uma maçã.
- Quem era aquela mulher? - disse Isa ainda engolindo um pedaço da fruta.
- Madeleine, ela sabe como salvar Kk.
- Então o que estamos esperando? - ela levantou da mesa onde estava sentada.
- Não é tão simples, Isa.
- O que temos que fazer? Onde temos que ir?
Raphael estava atento a tudo que Clarissa dizia, ele observava cada movimento que ela fazia.
Porém seus olhos estavam impassiveis, não demostravam emoçoes por tras deles.
Stubb, não importando-se muito com a pergunta, foi à biblioteca.
Raphael e Clarissa estavam sozinhos na sala de estar.
- Não é seguro para você - ele disse dirigindo-se até à porta.
- Raphael, - disse Isa puxando -o para trás - ela é minha mãe! Eu daria a vida por ela.
- Vá se trocar, quero que conheça alguém.
Isa foi para o quarto, fez sua higiene e colocou um dos inúmeros jens que tinha na mochila. Pegou sua estela sobre o criado-mudo e afundou-a no bolso da calça.
Quando saiu, encontrou Raphael encostado na porta.
Eles sairam sem trocarem uma palavra.
*#*#*
- Então era aqui que voce queria que eu viesse - falou ela num tom irônico.
Eles estavam no Central Park, em frente ao Lago Lynn.
- Toma, - ele estendeu uma pedra brilhante na direção dela.
Ela pegou e analisou a pedra brilhante por entre os dedos.
- Ela ira te trazer luz mesmo nos momentos mais sombrios.
Eles foram afundando cada vez mais para dentro do lago.
- Tem algo errado.
Eles estavam com o nivel de agua até o pescoço.
- Vamos tentar de novo. Isa você primeiro.
Ela recuou alguns passos, em seguida avançou abruptamente. À medida que ela avançava o sol recuava cada vez mais. Logo atrás dela estava Raphael, segurando sua mão. Quando submergiram, estavam em um barco de guerra. Clarissa sentia que algo estava errado e a cada passo que dava, a sensação só aumentava.
- Pai? - Raphael chamou.
As aguas do Lago Lynn quebravam no casco do.navio. Algum tempo depois surgiu um homem alto e quase tao magro quanto Raphael.
- Vejo que trouxe Clarissa.
De fato, eu nunca tinha visto aquele cara na vida.
- Porque esta aqui? Veio juntar- se a mim?
Clarissa fez uma expressao confusa, misturada com um pouco de curiosidade. Fez-se um longo silencio,ate que Lucian chegou mas perto de Isa e disse:
- Deixe- me explicar, daqui a alguns dias não haverão mais barreiras. Uma guerra sera travada entre o mundo inferior e superior.
- Qual o motivo disso tudo?
- Isa, minha querida, - disse ele levantando o rosto dela - o mundo está cheio de pessoas más.
- Pessoas ruins têm de fazer parte do mundo. - irritou- se Isa -  O mundo só precisa de pessoas boas para equilibrar-se, e voce pretende matar todas elas.
- O que vieram fazer aqui? - disse Lucian voltando sua atenção para Raphael.
- Precisamos de um portal - disse Raphael secamente.
- Hum... Acho que sei onde podem encontrar. Mas, o que te faz pensar que vou te ajudar?
- Não quero sua ajuda! Vamos! - disse ele virando para Isa.
*#*#*
A onda de frio da semana anterior tinha acabado, e o sol estava raiando brilhantemente
enquanto Clarissa se apressava pelo empoeirado quintal da frente da casa de Stubb.
O capuz de sua jaqueta para cima mantinha seu cabelo de soprar através do seu rosto. O tempo poderia estar quente, mas o vento do East River ainda podia ser brutal. Ele se carregava com um fraco cheiro quimico, misturado com o cheiro de asfalto do Brooklyn, gasolina e açucar queimado vindo da fabrica fecheda abaixo na rua.
Raphael estava esperando por ela na varanda da frente, esparramado na poltrona quebrada.
Clarissa empurrou seu capuz para tras retirando o cabelo dos olhos, enquanto tateava seu bolso por suas chaves.
- Onde voce estava? Te liguei a manhã toda.
Não houve resposta.
Clarissa parou de sacudir a chave na fechadura - ela sempre prendia - tempo suficiente para fazer uma careta para ele.
- Deixe que eu faço isso!
Clarissa ficou de pé bem ao lado de Raphael, enquanto ele torcia a chave apenas a quantia certa de pressao, fazendo a teimosa fechadura velha saltar aberta. As mãos dele roçaram as delas, sua pele era fria, a temperatura do ar lá fora. Ela estremeceu um pouco.
- Obrigado - disse ela sem olhar para ele.
Estava quente na sala de estar. Isa pendurou sua jaqueta no gancho ao lado da porta e seguiu para o quarto de hospedes, onde sua mala estava aberta sobre a cama como uma ostra, e suas roupas e blocos de desenho para todo lado.
- Hey, Isa! - Stubb soou calmo, talvez um pouco cansado ( ele estava usando uma camisa velha flanelada e um calça de brim, e estava segurando um pacote com uma das mãos, enquanto acariciava as costas de Isa com a outra ) - Tenho algo para voce levar na sua viagem - ele deu um curto, mas profundo, suspiro.
Ele repousou sua mão esquerda sobre o ombro de Isa e entregou o pacote que estava na sua mão direita a ela.
- Stubb...
- Não diga nada. Apenas abra. Tenho certeza que não irá arrepender- se.
Ela pensou em devolver, mas não o fez, sorriu para Stubb enquanto desembrulhava o presente.
- Um retrato?!
- Sim - falou ele com entusiasmo - uma foto da Ascensão.
Clarissa reconheceu algumas pessoas na foto - Stubb, Lucian, Maryse, Thiago e ( obviamente ) Kk.
Sem Kk, eu não sei quem eu sou, pensou ela.
Não era um tanto esquisito ela não saber quem era? E também não era uma injustiça o fato de ela mesma não poder determinar o que seria? Isto simplesmente lhe tinha sido imposto ao nascer. Seus amigos, estes sim ela talvez pudesse escolher, mas não tinha tido a chance de escolher-se a si própria. Não tinha sequer decidido ser uma pessoa.
- Stubb, eu vou ser eternamente grata a voce, por tudo o que esta fazendo.
Seus olhas minguaram, e sua expressão - antes impassivel - tornou- se paternal.
- Bom, acho melhor voce ir. Raphael está te esperando.
Ela captou a expressao notoria de Raphael, e deduziu que ele já estava ali mais tempo do que ela imaginará.
Eles entraram na velha pick-up de Stubb, enquanto ele acenava da porta da garagem.
Pouco antes de Raphael dar a contra partida ela disse:
- Espera, eu esqueci uma coisa.
Três semanas para fazer as malas e ainda esquece alguma coisa.
Resmungou Raphael para si mesmo.
Clarissa desceu do carro e correu até Stubb e abraçou-o.
- Stubb, se eu não voltar...- disse ela se afastando um pouco dele.
- Porque diz isso? E claro que voce vai voltar. - disse Stubb imterropendo- a e abraçando ela mais forte.
Raphael estava ghunindo raivosamente na grande pick- up vermelha.
- Melhor você ir. - disse Stubb num tom sereno.
Clarissa apressou- se para chegar ate o carro.
Quando entrou, disse.
- Sempre pensei que a primeira vez que eu fosse viajar para o exterior, eu teria pelo menos um passaporte.
Raphael não riu.
- Eu sei que você está nervosa. - disse ele - Mas vai ficar tudo bem. Eu vou cuidar bem de você.
Eu só disse isso um milhão de vezes. Clarissa pensou.
- Por que não cuidaria?
Porque voce me disse que não tinha sentimentos por mim mais...

Nenhum comentário:

Postar um comentário