segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Parte Um- Uma temporada no inferno

A imponente estrutura de vidro e aço se erguia da sua posição na Front Street como uma agulha brilhante costurando o céu. O Metrópole, o mais caro entre os nove condominios de Mahattan, tinha 57 andares. No mais alto, o quinquagésimo sétimo, ficava o apartamento mais luxuoso de todos:
a cobertura metrópole.
- Regra número um de anime- disse Robbin. Ele se sentou apoiado em uma pilha de almofadas ao pé da cama, com um saco de batatas chips em uma das mãos e o controle da televisão em outra. Vestia uma camiseta branca com os dizeres BLOGUEI SUA MÃE e uma calça jens com dois rasgos acima dos joelhos. - Nunca brinque com uma monge.
Clarissa pegou uma batata e encarou a tela pensativa. Mesmo que não se sentisse feliz, ao menos na casa de Robbin, no quarto dele ela sentia- se confortavel e em casa. Ela o conhecia a tempo suficiente para lembrar-se de quando havia um carrinho de bombeiro e  várias peças de Lego, onde hoje existe uma bateria no lugar daquelas coisas.
O telefone de Robbin tocou e ele atendeu e falou baixo o suficiente para que ninguém ouvisse.
- Já volto- murmurou. Estava com o rosto da cor do céu de inverno antes de chover. Clarissa o observou partir, mordendo o lábio inferior com força; foi a primeira vez desde que sua mãe tinha sido hospitalizada que ela percebeu que talvez Robbin também não estivesse tão feliz.
Clarissa fechou a porta do quarto deixando a televisão ligada, e foi procurar Robbin. Ela o encontrou na cozinha curvado sobre a pia e a água correndo.
- Robbin? - a cozinha era de uma azul claro e alegre. E em todas as paredes eram decoradas com desenhos que Robbin e Rebeca haviam feito quando eram primeira série.
Ele não ergueu os olhos, apesar de que ela sabia que ele havia ouvido ela entrar pelo enrijencimento dos músculos.
Será que ele havia emagrecido? Era díficil de dizer. Quando você vê alguém todos os dias, nem sempre percebe as pequenas diferenças na aparência.

- Você está bem? Ele fechou a torneira com um movimento brusco. - Claro. Estou bem. Ele levantou os olhos até encontrar os dela. Eram cinza e não demostravam ter vida por trás deles. - Eu pareço diferente para você? - perguntou Robbin. Se ele parecia diferente? Talvez houvesse um pouco mais de confiança e acolhimento desde que sua mãe havia morrido; mas havia também uma introspecção no modo como agia, como se estivesse esperando alguma coisa. - Você continua sendo Robbin. Ele deixou escapar um suspiro de alivio quando Clarissa acabou de responder sua pergunta. - Toma. - disse Robbin com o telefone em uma das mãos. - Você deveria falar com ele. Ela tomou o telefone da mão dele e começou a discar o número de Stubb. Stubb atendeu e ela ficou muda e desligou o telefone em um movimento brusco. - Você deveria descansar. Ela assentiu com a cabeça e seguiu pelo corredor amarelo e iluminado até o penúltimo quarto. Deitou- se na cama do quarto de Robbin. - Sobre Stubb... - Amanhã falamos sobre ele. Agora descanse. Robbin estava com uma estaca de vinte e cinco centimetros apontada para o coração de Clarissa. Ela rolou na cama bruscamente, suando e arfando. - Você não é Robbin. O que você fez com ele? - disse Clarissa tentando manter a voz firme. A coisa não respondeu. Ela estava encurralada em um canto do quarto. A coisa golpeu ela deixando um corte profundo em um dos braços. Stubb chegou e se transformou em um lobo enorme e branco, com orelhas pontudas e dentes afiados. A coisa se afastou e se desfez em pó. - Isa... - Não chegue perto de mim. - Eu não vou te machucar. Você não está segura aqui. Eles avaçaram pelo apartamento até estarem completamente fora do prédio. Entraram no carro sem dizerem uma palavra. Eles já estavam atravessando a ponte de Manhattan, quando Stubb falou: - Ele não era Robbin. - Sabe Stubb, o pior de não saber em quem confiar, é não poder confiar em si mesmo. Eles avançaram pelo East River ate a pequena casa de Stubb. A casa estava uma bagunça: contas e roupas espalhadas por toda a casa. - O que esta acontecendo? - Voce sabera na hora certa. - O que e isso? - E uma estela. Venha esta na hora de voce receber algumas marcas. No final ele so havia feito duas: um olho aberto na palma de cada mão e um "e" invertido em um dos pulsos. O lugar onde a estela havia tocado ardia e brilhava. - Posso dormir aqui? - disse Clarissa levantando o rosto para olhar para Stubb. - E claro que pode. - ele falou puxando ela para um abraço.- Eu não queria que isso tivesse acontecendo. - Eu sei que você não tem culpa.- Ela disse se esforçando para manter a voz firme.- Fechar os olhos e fingir que alguma coisa não está acontecendo não faz com que ela não aconteça.- ela disse trazendo rosto dele para perto de si. Ela foi para o quarto, fechou a porta e colocou a cabeça no travesseiro. Deixou que o silêncio colocasse as coisas no lugar em que elas deveriam estar.

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